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segunda-feira, 13 de março de 2017

Mulher que morreu em 1951 continua a salvar vidas



As células de Henriquetta Lacks, uma norte-americana que, na década de 40, se mudou para Baltimore, Maryland, para se dedicar aos cinco filhos e ao marido, revolucionaram a medicina.

Henriquetta morreu em 1951, poucos meses depois de descobrir que tinha cancro no colo do útero. Um médico retirou-lhe uma amostra para fazer uma biópsia, sem pedir autorização, dado que não havia legislação específica sobre a matéria, e desde então (há mais de 60 anos) que a ciência usa as células da norte-americana, sem que ela ou a família tenham dado autorização.

A explicação é simples: as células de Henriquetta foram as primeiras a manterem-se vivas fora do corpo, ou seja, em laboratório. Tornaram-se na linha celular humana mais antiga e mais usada pelos cientistas em todo o mundo e passaram a ser designadas como células HeLa (referente a Henriquetta Lacks). Ao contrário de outras células, as de Henriquetta conseguiam sozinhas dividir-se vezes sem conta, mesmo fora do corpo. Foram chamadas de células imortais.

O investigador George Grey tentava há décadas, no conceituado Hospital Johns Hopkins, em Baltimore, cultivar em laboratório células cancerígenas, mas sem sucesso. Quando se apercebeu das capacidades das células de Henriquetta, distribuiu-as por vários laboratórios. Foram as primeiras a serem compradas, vendidas, embaladas e enviadas para milhões de laboratórios em todo o mundo. Agora estão espalhadas pelo mundo e são usadas em investigações sobre cancro, genes, Sida e vacinas.

Além da contribuição científica, as células de Henriquetta Lacks fizeram render milhões de dólares e tudo foi feito sem o conhecimento e consentimento da família. Apenas em 1973, uma suspeita de que a cura para o cancro poderia estar na manipulação de genes fez com que uma equipa de geneticistas procurasse a família de Henriquetta para fazer um exame de ADN, e só então é que estes foram informados.


Ao tomar conhecimento, a família tentou obter uma compensação financeira e o reconhecimento da contribuição de Lacks para a ciência. E conseguiram, uma vez que Henriquetta Lacks acabou por dar nome às células. No entanto, a família, apesar de em 2013 ter conquistado o controlo parcial do acesso de cientistas às células de Henriquetta, ainda não recebeu qualquer compensação.

De acordo com a BBC, em fevereiro, os familiares anunciaram que vão continuar a lutar, em tribunal, contra o hospital Johns Hopkins, para que possam ser recompensados pela venda das células. O hospital garante, no entanto, que não lucrou com as células HeLa.  

Em 2010, a jornalista norte-americana Rebecca Skloot retratou a história de Henriquetta Lacks num livro intitulado “A Vida Imortal de Henriquetta Lacks”. Agora a história será contada num filme da HBO, com o mesmo nome do livro. O filme conta a participação de Oprah Winfrey e Rose Byrne e tem estreia marcada para 22 de abril nos Estados Unidos da América.

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