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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Oportunidades de negócio

 



O Leo Postiço era um gajo influenciável. Embora fosse capaz de descobrir oportunidades onde ninguém mais as via, o Leo deixava-se arrastar por uma boa história. Hoje vou-vos contar o negócio das “camisas de vénus” do Leo Postiço.
Uma vez estava eu com o Leo e mais tres manos, o Lecas, o Coxo e o Zé da Rosinda, assentados numa taberna, a beber tintos e a comer amendoins, quando apareceu o Jorge Nice das Bifas. O Jorge Nice, como a gente lhe chamava, era um galã do caraças, e as bifas não o largavam no verão. O gajo vestia bué bem, e tudo de marca, sempre à conta das bifas, que vinham de férias às praias de Setúbal, e que gostavam de andar na brincadeira.
Quando o Jorge Nice das Bifas fez 30 anos teve problemas com a mãe, farta de o sustentar. O pai dele estava preso, injustamente, desde que ele ainda não tinha nascido. Então o Jorge Nice arranjou um trabalho num barco de cruzeiros, nas lavandarias, e, de vez em quando vinha de férias à mui nobre cidade sadina.
Quando entrou na taberna do ti Xico, viu e foi cumprimentar os amigos. Pagou uma rodada de copos de tres e começou a contar as suas peripécias. O Leo parece que “bebia” as palavras do Jorge Nice das Bifas, mas ninguém pareceu incomodado. O Leo não era nenhum roto.
Às tantas, o Jorge Nice das Bifas contou que tinha ganho uma pipa de massa na última viagem, um cruzeiro desde Nova Yorque até Porto Rico, com mais duma dezena de escalas. Disse o Jorge Nice das Bifas que tinha comprado 10 caixas de preservativos, com 100 unidades por caixa, a 10 cêntimos cada, e que os vendeu todos a 1 dolar cada. Tinha-se lembrado de ter para venda aos colegas, que andavam a comer as camareiras filipinas e indonésias, mas que a palavra se espalhou e às tantas já eram os passageiros quem vinha comprar.
Bom, quando j'a estava tudo besana foram embora, marcaram reunião para o dia seguinte e cambalearam alegremente até casa.
Os dias iam passando, e as semanas, até que uma vez estava o Zé da Rosinda na taberna e perguntou ao Coxo: eh pá, sabes o que aconteceu ao Leo?
Quando o outro disse que não sabia nada e que não tinha visto nada, o Jorge Nice das Bifas contou que o Leo se tinha espalhado. Atão o gajo foi a casa da avó e gamou-lhe a placa. Era uma placa que ela tinha herdado do marido, e que usava já desde que ficou viúva. Tinha um dente de ouro. O gajo gamou a placa e foi vender o dente, ao empregado do Dr. Noronha.
Com a massa na mão foi aos indianos comprar uma ganda macheia de camisas de vénus, e foi pa Alcantara. Aí conseguiu meter-se num barco que fazia um cruzeiro ao mediterrâneo, e cheio de suecas e norueguesas. Até aí tava tudo bem, mas o pior foi quando o Leo finalmente saiu do seu esconderijo, e viu as passageiras, e atão a gaja mais nova tinha mais de 70 anos, e parece que os gajos ainda eram mais velhos.
Olha, dizia o Zé ao Coxo, ví o gajo no Faralhão, com medo de vir pa casa porque a avó disse que lhe dava um tiro, teso que nem um carapau e com uma sacada de camisas de vénus que vai lá vai.


Jarro Martins

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